O absurdo
por Larissa Prado
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Há muita coisa acontecendo na minha cabeça sem que consiga dar nomes a cada uma delas. Se um poste estoura dentro do meu pensamento, acordo como se um tiro acertasse o centro da minha testa. Estou sempre implodindo, do momento em que acordo até a hora de deitar e os sonhos vêm em forma de explosões das quais sempre saio vivo, mas sem algum pedaço. Eu me tornei pesado para andar, atormentado na hora de pensar e meus sentimentos se misturam às sensações angustiantes de quem está levando tiros no centro do ouvido. Vocês não sabem o que é viver se arrastando pelas ruas de uma cidade morta, pelas avenidas de um país moribundo. Vocês não sabem porque estão imunes e dormem feito crianças quando deitam a cabeça no travesseiro. Há muita coisa nebulosa no centro do peito de alguém que não chora porque o próprio sangue se tornou lágrimas. Estou sempre me contendo e convertendo todo ódio e desesperança em suspiros. Mais um dia na vida de um sonâmbulo na cidade fantasma dos sonhos de algum sábio morto. Há tanta coisa errada no meu sistema nervoso, um olho que fecha e não quer abrir, a mão cerrada que agride o próprio corpo... Mas os espíritos dessa imensa cova aberta dormem feito querubins enquanto os desgraçados charfudam em realidades inquietantes. Quando o lova-deus junta as patas reza para capturar a borboleta. 
Larissa Prado
Enviado por Larissa Prado em 13/10/2019
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