O absurdo
por Larissa Prado
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Chegar no íntimo disso, no fundo de todas as coisas. Mergulhar. Deixar que o acúmulo de lágrimas caídas do céu afoguem as incertezas. Deixar-me ir embora da terra devastada cheia de confetes brilhantes cobrindo abismos. Beber do meu próprio sangue para purificar meu corpo dos tóxicos olhares de fora. Paralisar o relógio, deixá-lo quebrado, sem bateria em ponteiros estáticos. Perder a noção de tempo-espaço. Eternizar o presente, não conservar fotos e fatos passados. Romper com o bom gosto, bom modos. Deixar em migalhas os maniqueísmos do caráter. Ser mil pedaços num só espírito. Não ter casa. Viver no vácuo feito louco. O louco da última montanha do mundo ocidental. Misturar os extremos do globo. Estar em Pequim e Vancouver ao mesmo tempo. Despedaçar-me em fragmentos de ser humano. Ser como angiospermas em outubros, anfíbios, répteis da água, aves ou insetos, ser tudo misturado. Dilacerar a alma. Enterrar-me enquanto a tempestade do século varre da Terra o progresso civilizatório. Começar do zero. Recomeçar do fim para o início. De trás para frente. Tomar certo por errado. Cometer atrocidades depois pedir perdão a Deus. Sucumbir euforicamente e culpar demônios. Comer da própria carne. Ser a peça fundamental da extinção de uma raça. Voltar às origens. O líquido das estrelas parece sangue misturado à lágrimas. 
Larissa Prado
Enviado por Larissa Prado em 10/04/2018
Alterado em 11/04/2018
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