Contos de Horror
por Larissa Prado
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Tomei algo, minha mente desce em espiral rumo ao nada. A única certeza que tenho é de estar escrevendo para que amanhã ou depois eu possa ler essas palavras e tente me recordar dessa noite. 

Um esforço tremendo para organizar as ideias com coerência, não vou mais me esforçar, que elas venham como uma enchente,

nossos pensamentos não seguem normas.

se eu deixar um bilhete para a última flor do jardim as pétalas vão cair, pisarei em folhas podres, nada faz sentido e não alcanço a casa de Deus. Seus temores são autênticos, monstros rastejam na sua rua enquanto o balé de coisinhas molengas se derrama pelo asfalto. Que efeito é esse? Onde estou? 

Não sei. Tudo é escuro como a mão de ferro dos grandes líderes, bocas ocas, sem língua, só palavras ditas febrilmente, -ismo,-ismo,-ismo. Troque uma ideologia pela outra, muda a mão e o chicote, os castigos serão os mesmos, parecidos, outras roupagens.
Tudo é mentira no reino dos homens, falácias e farsas. 
Não gosto de advérbios porque terminam em -mente, a maioria, diga algo alto e eles vão te escutar e aprimorar a hiroshima, nossos corações são mais radiotivos que dez mil Chernobyls. 

A casa tomada é um conto de Cortázar, conhece? Não.
Não? Não. Tombo para o lado e encontro as ruínas de Babilônia, estava fraco quando me deram o último cálice de agrotóxico. Veja o mundo, uma representação débil de algo que nunca seremos. Todos papéis que desempenhamos são falsos, quem é você?

Ele vem, ela vai, as mesmas conversas em dias diferentes, assuntos sobre verões e teias estendidas na areia. Não eram teias, eram toalhas de praia. Vou embora para Carcosa, em algum lugar o Rei vai cair e ser comido pelo povo faminto como vermes da terra.

Estou vendo cômodos em forma de círculos, um dia uma porta abre e outra desaparece. Ninguém sai vivo daqui, lembra desse livro? Natália? Simone? Rebeca? Qual era seu nome? Não sairá vivo daqui. Séries, livros, conceitos, teorias.

Odeio idealismo, todo ideal é condiconante, vocês não escutam a canção secreta, não gosto dos meus mestres, eles me aprisionaram numa torre de ideais. Eu vou quebrar o gelo chupando o sangue do seu corte.
Quando acabar,
apenas as ovelhas restarão,
os lobos continuarão famintos,
mas elas sempre foram mais numerosas.

O capim cresce, a vaca foi pro brejo e nós estamos voltando para casa.
Quem somos nós? Amanhã não lembraremos, formatamos o texto, tiramos as vírgulas, não há freios para uma mente entorpecida, vê? Não. Não há coerência, o lixo é uma desordem desde que não seja reciclavél...
eu sempre gostei do Burroughs.
Larissa Prado
Enviado por Larissa Prado em 31/08/2017
Alterado em 31/08/2017
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