Contos de Horror
por Larissa Prado
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Sobre imaginação

Estou escrevendo para você que, assim como eu, precisa das palavras para alcançar algum sentido na vida. Escrevo para aqueles que escrevem, querem escrever e, muitas vezes, não conseguem. Você sente que através das palavras poderia conseguir dar vazão a algo inominável, algo que está preso em algum nível da mente que a linguagem não parece conseguir traduzir, você sente, mas quando se vê diante do papel em branco ou da tela vazia simplesmente não consegue. Há um muro entre o que você pensa, sente, imagina e às palavras que poderiam representa-los.

Escrevo para escritores, mesmo que não me sinta uma, mesmo que aos meus ouvidos me autodenominar escritora sempre me soa uma pretensão gigante, quase uma afronta aos escritores “de verdade”. Nessa primeira conversa que venho deixar para vocês optei por falar um pouco sobre a imaginação por entender que é o ponto de partida para qualquer tipo de processo criativo. Muitos filósofos, estudiosos escreveram e escrevem sobre a imaginação, inspiração, processos criativos, na minha vida estive – e estou – me debruçando, exaustivamente, sobre estudos, manuais, oficinas, cursos, tudo que possa me fazer ampliar minhas habilidades de escrita, porém, nenhum estudo, técnica, teoria vale algo se você não estiver disposto a se lançar de cabeça na sua própria alma. Não há poço mais fértil do que sua mente e não existe autoridade alguma que possa delimitar o que você deve ou não fazer com seus textos.

Você pode escrever muito bem, saber todos efeitos estilísticos, gramaticais, narrativos, sem imaginação suas criações não passarão de artefatos estéticos sem qualquer tipo de novidade ou emoção. Muitos escritores iniciantes sentem extrema dificuldade em elaborar suas histórias pelo simples fato de alimentarem o medo. Temem o ridículo, o errado, o feio, o duvidoso, e eu lhes digo que em literatura tudo isso deveria ser explorado e não evitado. O feio, o estranho, aquilo que sua mente diz estar errado deveriam ser pontos de partida de suas ideias, reflexões, criações. Se eu fosse dar uma dica para os escritores iniciantes, a mais preciosa seria: arrisquem tudo, tentem de tudo na escrita, não tenham medo.

Um dos meus escritores favoritos, Franz Kafka, não teria criado um novo tipo de narrativa, se aventurado em outros eixos temáticos se tivesse medo de criar, ousar, de dar vida às suas mais insólitas ideias. Quem quer se aventurar na escrita deve estar disposto a ir fundo nas suas mais estranhas inspirações e pensamentos. Certa vez, estava em um ambiente com outras pessoas que também escrevem – há mais tempo que eu – uma dessas pessoas comentou que o que escrevo não é algo comercial, vendável, pois, aqueles que se interessam em ler meus textos são poucos  “as pessoas não se interessam pelo bizarro, o horror é um gênero pouco levado a sério”, não me opus ou discuti, apenas escutei a opinião. Um escritor precisa saber escutar, outro fato que ressalto aos futuros escritores: observem, escutem, absorvam de forma imparcial.

Se o que escrevo não é vendável, apreciado ou de boa qualidade para o mercado editorial, isso não tem importância, pois, quando escrevo o faço para mim, é como me alimentar e não me alimento do que os outros acham nutritivo, e sim, daquilo que me dá prazer e saciedade. Faça da sua escrita algo só seu, enquanto você se sentar diante um computador pensando em criar algo para os outros ou para ganhar reconhecimento, não poderá se aventurar pela escrita ou se denominar escritor. Para aqueles que escutam o chamado e ainda não sabem atende-lo reforço minha súplica: não tenham medo, comecem a escrever, não busquem a perfeição, apesar dessa busca contribuir para nosso contínuo crescimento na escrita, a perfeição é uma noção ilusória e limitante. Nem os melhores dos grandes escritores se sentiam seguros do que faziam.

Espero que essa primeira conversa tenha acalentado e enchido de motivação e fôlego aqueles que se estão em crise de escrita, desanimados e, talvez, prestes a desistirem. Esse texto simplório e descompromissado surgiu de uma série de conversas que travei com pessoas que me procuraram a fim de mostrarem textos que começaram a escrever ou ideias para textos que não conseguem iniciar. Saibam que tudo isso é normal, as próprias crises deveriam servir de inspiração e reflexão. Observem e não tenham medo de dar ouvidos à sua imaginação.
Larissa Prado
Enviado por Larissa Prado em 31/07/2017
Alterado em 31/07/2017
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