O absurdo
por Larissa Prado
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Niilismo

Porque estou farto desse gosto amargo
na boca
que não é doce nem amargo.

Essa coisa morna que ninguém sabe
se é vida ou morte.

Porque estou farto de cair no abismo do abismo
do abismo.
Nesse mesmo vão de almas
que não tem para onde ir
e não podem ficar onde estão.

Porque estou farto de todas coisas pútridas
que deturpam meu ser.
Todas essas coisas que exalam
o odor decomposto
de todos sonhos perdidos,
das esperanças despedaçadas,

Porque estou farto de ver tantos rostos
e não reconhecer nenhum
Tantos olhos,
e nenhum traz paz.
Tantas bocas que riem e riem
parece-me que da minha
solidão desértica. 

O escárnio sempre esteve estampado,
às vezes subentendido mas latente,
onde busquei, desesperadamente,
comedidamente,
um pouco de
amor,
compreensão,
aceitação.

Tudo isso caminhou para o nada.
Ele engole tudo à minha volta.
Tudo o que um dia acreditei ser por dentro, por fora,
todas as ilusões foram manchadas pela lama.

Tudo o que acreditei não era Nada.
O nada prossegue engolindo
o próprio Caos. 

Tudo está estagnado como a poeira
nos movéis,
como minha própria alma
ausente e sedenta de anjos ou demônios,
a mercê de uma salvação que possa sustentá-la
nesse contínuo,
eterno,
etéreo

Nada.
Larissa Prado
Enviado por Larissa Prado em 25/11/2016
Alterado em 25/11/2016
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